à Espaço geográfico – Lisboa e Mafra são os espaços
fulcrais, até porque é aqui que se movimentam as
personagens principais. Dentro destes espaços, destacam-se,
nomeadamente, o Terreiro do Paço (local que retrata a vida na corte), o Rossio (onde se realiza, por exemplo, os
autos-de-fé), S. Sebastião da Pedreira (localidade situada nos arredores de Lisboa, onde decorre a construção
da “passarola”, na quinta do duque de Aveiro), a “ilha da Madeira” (vale onde os trabalhadores do convento se alojam).
Faz-se ainda referência a Évora, Montemor, Pegões, Aldegalega (locais por onde Baltasar passa, depois da guerra,
no seu percurso até chegar a Lisboa); à serra do Barregudo, ao Monte Junto, ao Monte Achique, a Pinheiro de
Loures, a Pêro Pinheiro (onde os homens vão buscar a gigantesca pedra para o convento), a Cheleiros, Torres
Vedras, Leiria, à região do Algarve, Alentejo e Entre-Douro-e-Minho, etc.
- Espaço interior – Palácio Real (Lisboa), a albegoaria da
quinta do duque de Aveiro (arredores de Lisboa), a casa dos pais de Baltasar (Mafra) …
- Espaço exterior – ruas/praças, o Terreiro do Paço, o
Rossio, Remolares, S. Roque, o morro das Taipas, Valverde, o vale da “ilha da Madeira”…
Espaço social (ambiente social vivido pelas personagens):
MAFRA e LISBOA
- A vida na corte, com a apresentação do séquito real, do
vestuário das personagens, das vénias protocolares,do ritual das relações entre o rei e a rainha e todos
aqueles que frequentam o paço, sobretudo o clero (Cap.I)
- Diversas procissões, nomeadamente, a de penitência pela
altura da Quaresma (Cap. III), a dos autos-
de-fé (Cap. V e XXV); a do Corpo de Deus em Junho (Cap.
XIII); que atestam a influência da religião na
sociedade;
- O baptizado da princesa Maria Bárbara no dia da Nossa
Senhora do Ó (VII)
- A tourada em Lisboa, no Terreiro do Paço (IX);
- Os festejos da inauguração e da bênção da primeira pedra
do convento de Mafra (XII);
- As lições de música da infanta Maria Bárbara ministradas por Domenico Scarlatti (XVI)
- As lições de música da infanta Maria Bárbara ministradas por Domenico Scarlatti (XVI)
- A epidemia de cólera e febre-amarela que dizima o povo
(XV)
- O cortejo nupcial que retrata os casamentos da infanta
Maria Bárbara e do príncipe D. José com o príncipe e infanta espanhóis (XXII);
- Sagração, em 1730, do convento de Mafra, apesar de ainda
não concluídas as obras (XXIV) …
O narrador tem preferência por locais onde se movem grandes
aglomerados populares, na medida em que estes permitem evidenciar as disparidades sociais, a exploração e
a crueldade a que o povo estava sujeito.
Pelo contrário, os ambientes das classes privilegiadas
surgem em menor número e, não raro, são apresentados num tom irónico como forma de criticar aspectos políticos,
económicos e religiosos de uma sociedade, onde uma minoria tem tudo e a maioria nada tem.
Espaço psicológico (vivências íntimas, pensamentos, sonhos,
estados de espírito, memórias, reflexões… das
personagens e que caracterizam o ambiente a elas associado):
- O sonho – a rainha sonha diversas vezes com o cunhado, D.
Francisco. Ao longo do romance, são descritos com alguma insistência os sonhos de diversas personagens,
dando conta dos seus mais íntimos desejos, ansiedades e inquietações…
- A imaginação – por exemplo, a peregrinação em busca de
Baltasar, durante nove anos, Quantas vezes
imaginou Blimunda que estando sentada na praça de uma vila,
a pedir esmola, um homem se aproximaria… (Cap. XXV).
- A memória – Quando Baltasar, por exemplo, relembra o
momento em que perdeu a sua mão esquerda na
guerra (VIII)
A reflexão – nomeadamente, a conversa entre a infanta D.
Maria Bárbara e sua mãe durante o cortejo
nupcial (XXII)
Sem comentários:
Enviar um comentário