
Dá-se este nome a uma verdadeira guerrilha que surgiu quando Pinheiro Chagas,
poeta romântico, publicou Poemas da Mocidade, dedicado a Castilho e que este
elogiou de tal forma que propunha o seu autor para professor de literatura no
Curso de Letras da universidade, ao mesmo tempo que fazia insinuações contra
Antero de Quental. Este respondeu violenta e grosseiramente com o folheto Bom
Senso e Bom Gosto, onde, entre outras expressões descorteses contra o velho e
respeitável mestre Feliciano de Castilho, se destaca esta: "V. Excia. precisa
menos cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão".
Os
escritores dividiram-se em dois grupos, uns apoiando o velho Feliciano de
Castilho, outros, o jovem poeta Antero de Quental. Pinheiro Chagas e Camilo
escreveram a favor de Castilho; Teófilo Braga, Eça de Queir6s e outros apoiaram
Antero. A Questão Coimbrã terminou com um duelo entre Antero e Ramalho Ortigão,
o qual, embora concordasse com as ideias de Antero, o atacou por ter sido
descortês para com o velho Castilho.
A Questão Coimbrã não teria grande
importância se ela não simbolizasse a luta entre dois grupos de escritores: os
românticos e os realistas.